segunda-feira, 8 de julho de 2013

Pós Graduação em Técnicas de Áudio e Produção Musical
Tecnologias Analógicas na Música
                                                                                                                               Prof. Adriano Leão





RESUMO

Neste artigo, proponho além de decorrer um pouco sobre a vivência de gravação e reprodução analógica na AESO, falar de minha experiência pessoal durante a transformação tecnológica ocorrida na música em meados dos anos 80, quando as plataformas de gravação e reprodução digital tomaram de assalto o mercado mundial, exigindo uma troca gradual de formatos, culminando com a quase extinção comercial do formato do vinil em detrimento da nova mídia: o CD.





INTRODUÇÃO

Era aproximadamente o ano de 1980. Estava eu sentado no carpete da sala de som da casa de minha tia, na Rua da Alegria, atrás do Pátio de Santa Cruz onde eu costumava passar os finais de semana com meus avós e me reunia com ela pra ouvir e limpar os mais de mil discos cuidadosamente guardados em ordem alfabética. Com nosso kit de limpeza, que incluía almofadinhas e uma solução removedora de poeira e eletroestática, as horas se passavam num novo toca discos Technics ao som de discos que marcaram minha infância. Estavam lá, bem limpinhos os clássicos Saltimbancos de Chico, Coração Bobo de Alceu, Há 10 mil anos atrás de Raul Seixas, Brasil Mestiço de Clara Nunes entre muitos de Luiz Gonzaga.
Chegando já na adolescência, havia as revistas que nos indicavam que discos à turma o que deveria se comprar e curtir pra estar antenado. Esperávamos meses pra que os discos chegassem às lojas. E lá se iam os rachas pra conseguir grana pra comprar na Aky Discos o Creatures of the Night do Kiss, Thriller de Michael Jackson, The Head on the Door do Cure e as adoráveis fitas cassete virgem em que gravávamos as músicas da Rádio Cidade ou Transamérica e fazíamos cópias e seleções dos discos pra festinhas do fim de semana ou pra impressionar as gatinhas. Confeccionávamos as capas das fitas k7 com recortes e colagens, desenhos e escrevíamos a ordem das musicas na parte interna. Naquele tempo, havia contato. Até que... foi no programa Fantástico. Lembro como se fosse hoje, o repórter Caco Barcelos anuncia a mais nova e revolucionária ferramenta pra armazenar e ouvir música: o CD. Inquebrável, não arranha, dura pra sempre... a revolução digital entraria com tudo no mundo da música, mudando radicalmente a produção, a indústria de entretenimento e a memória.







DESENVOLVIMENTO

            Durante as atividades do módulo de gravações analógicas, tivemos a oportunidade de conhecer de perto a tecnologias de gravação em fita e testar suas qualidades e especificidades. O som encorpado, o ruído do material gravado são pontos positivos que muitos especialistas apontam  para a técnica analógica e que por isso, superam e muito o digital.  Já o digital teria mais facilidades de manipulação do som, de edição mais rápida além de ter pluggins que simulariam o “calor” das gravações analógicas, como o  Studer A800 Multichannel Tape Recorder, versão virtual do gravador multicanal de fita de 2” Studer A800, além de  simuladores de amplificação ou instrumentos virtuais.

            “Resumindo, gravar em fita analógica tornou-se um processo especializado de alto custo, futurístico-retrô, para obter certo som. Dito isto, o processo de gravação analógica ainda é bem considerado e até mesmo procurado por vários estúdios como ferramenta sonora especial... e por outros uma revolta contra o ataque violento do império do mal digital.” (HUBER, RUNSTEIN, 2011, p.181).

            Divergências e certezas a parte, usamos o Akai GX D para uma sessão de audição analógica de “Are you experienced” de Hendrix e a trilha sonora do filme “West Side Story” além da audição em de um material gravado com o Devotos numa jam com um vocal feminino africano que originalmente foi gravado e mixado em digital e masterizado pra analógico. Confesso que foi um momento bastante especial. Não me lembro de ter visto um equipamento daqueles funcionando e reproduzindo, mas turma estava ansiosa para aproxima atividade: a gravação. Munidos do mesmo gravador, microfonamos voz e violão nos estúdios da AESO pra gravarmos uma samba. A prática foi bem interessante, pois conseguimos aos poucos perceber o corpo de frequência que a música ganha quando gravada e reproduzida em sistema analógico.


            Num segundo momento, tivemos a oportunidade de gravar no Tascam 338 Studio 8, um gravador de rolo com 8 canais independentes que já vem anexado uma mesa de controles mais complexa e portanto com mais possibilidades de experimentações. Tivemos então a oportunidade de registrar bateria, baixo, guitarra e vozes e pudemos escutar alguns ensaios de mixagem e pré master. Deu pra sentir a dificuldade/necessidade de entrosamento da banda pra que o material saia perfeito e também a timbragem tem que ser mais esmerada pra se atingir um bom resultado final. No último momento, fizemos um reverb de sala, onde reproduzimos o som em altofalantes no estudio e colocamos o microfone no corredor, experiência até então pensada mas nunca concretizada em meu trabalhos artísticos.
            Destas atividades, fica-se a impressão de que se multiplicam as possibilidades quando se dispõe das duas ferramentas simultaneamente na produção atual. Até porque na grande escala comercial é inevitável que o fim do produto tenha um formato digital, físico em CD / DVD ou em arquivos virtuais.
            Assim como vários artistas do século passado tiveram que criar métodos e soluções pra viabilizar complexas gravações em estúdios de 4 canais, hoje contraditoriamente, a facilidade das plataformas digitais vem trazendo à tona vários produtos finalizados com baixíssima qualidade, tanto de gravação como de qualidade artística. A subutilização de recursos criativos na obra torna maçante a repetição de timbres na música popular, sobretudo com o advento dos novos bregas, forronejos e a invasão gospel.
Em seu artigo “A degeneração progressiva do som – A relação entre o analógico e o digital”, Robson de Andrade Gonçalves afirma:
Trazendo para a nossa realidade, as compactações de arquivos no formato MP3 e as reproduções em pequenos e infiéis headphones coloca em cheque a produção musical atual, seja ela analógica(onde as perdas são mais acentuadas), seja em digital. Por outro lado, esta era digital trouxe a possibilidade de uma democratização da produção e consequentemente também de reprodução pelos meios também virtuais, como se tudo já estivesse sendo produzido para o meio em que será também reproduzido.
            Para o senso leigo e comum, faria realmente alguma diferença de uma reprodução em vinil ou de um MP3 de seu artista preferido tocados no mesmo aparelho de som? A comodidade de estar carregando em seu pen drive 8 Gigas de música é mais compensatório que ele sair andando com 50 vinis e só poder ouvir em determinado lugar?








CONCLUSÃO

            “Melhor dizendo, não havia opção: em menos de dez anos, não era mais possível comprar um aparelho de som para uso doméstico que tocasse LPs. Enquanto isso, coleções de discos eram colocadas no lixo por milhares de famílias e as fábricas de vinil foram desaparecendo. Foi a ditadura do CD.” (PALHARINI, 2010)
         Pois foi por ai que também comigo aconteceu. Levando aos poucos os meus discos que curtia para o sebo e trocando por uma ínfima quantia de dinheiro. E o mais surreal de tudo isso, fui iludido pela mesma tia que comigo limpava os discos de vinil, de que aquele era o futuro e que conseguiria comprar todos eles em CD. Alguns dos vinis ainda mantive comigo por sorte do destino ou porque ainda tinha alguma intuição que silenciosamente me dizia pra que não desse fim a alguns exemplares. Mas se foram os discos, muitos deles hoje raros de se encontrar... tudo desceu pelo ralo do tempo. Mas levanto a cabeça e prossigo, ouvindo meu vasto arquivo de MP3 em meu celular, em headphone de camelô, gravando minhas obras em laptop com softwares livre e divulgando em baixa resolução pelas redes sociais... degenerando progressivamente a memória e ocupando mais espaço do pendrive.















BIBLIOGRAFIA







HUBBER, David Miles; RUNSTEIN, Robert E. Técnicas Modernas de Gravação de Áudio - 7ª Ed.- Rio de Janeiro: Elsevier, 2011

PALHARINI, Luciana. Do analógico ao digital: o longo caminho da experiência com a música. Com Ciência [Periódico de internet] 2010 Mar [acesso em 2013 Maio] ;[aproximadamente 4 p.]

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Extrume mental II - Grilowsky Jazzy Grind


projeto Jazzy Grind - Grilowsky
baterias: Philippe Agra e Bruno Lee
guitarras - Elton Eduardo e Grilo
voz e remix - Grilo
gravado por Calazans Callou
30/04/2012 , Gravatá!

Derrubando bandeiras...- VOTE 00


Derrubando bandeiras...
videoclipe do Jazzy Grind
musica: 666
filmado em celular

projeto Jazzy Grind - Grilowsky
baterias: Philippe Agra e Bruno Lee
guitarras - Elton Eduardo
voz - Grilo
gravado por Calazans Callou
30/04/2012 , Gravatá!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

terça-feira, 24 de julho de 2012

monstro Amor lança segundo CD em festa na Cachaçaria Virgulino


monstro Amor lança segundo CD em festa na Cachaçaria Virgulino
“Amor só de monstro” traduz comportamentos sexuais em música 

Perversões, fetiches e prazeres sexuais são alguns dos temas que inspiraram a banda monstro Amor na criação das oito faixas do seu segundo CD: Amor só de monstro. A festa de lançamento acontece no dia 4 de agosto na Cachaçaria Virgulino, em Olinda. A banda formada por Evandro Q?, Túlio Falcão, Grilo, Robson Schizo e Romildo Roma entrou no EstúdioFábrica durante apenas uma tarde em fevereiro de 2011. Produzido por Evandro Q?, o acabamento primoroso inclui a mixagem realizada por Adriano Leão e Grilo, com destaque para a arte de Cecília Torres. 
A banda define seu som como free rock, mas os músicos do monstro Amor trazem influências de new wave, post-punk, metal crossover, psicodelia, white noise, experimentalismos sonoros, raízes estéticas, free-jazz, música eletrônica e canções pop. Cada um traz também um tema guardado em segredo até o momento das gravações. As músicas nascem na hora, gravadas em um só take a partir do diálogo produzido entre os instrumentos, o que caracteriza o free rock. “Um puro rock’n roll caldo-de-cana de timbres nervosos e ritmos hipnóticos. Cada composição não possui em si muitas variações. Têm uma ambiência sonora e um núcleo rítmico produzido pelo baixista e baterista. Uma cama para os demais músicos deitarem e rolarem”, define Evandro Q?.
As intenções que movem a banda são diferentes nos dois discos. Segundo Evandro Q?, no primeiro, A Dança dos Pluricelulares Plebeus em Casamarela, a intenção era fazer música para dançar, pura diversão. Em Amor só de monstro, entenderam que há outras necessidades, outros sentimentos a serem expressados. “Fomos abrindo as portas para outras coisas, para ter momentos mais sombrios, revoltados, de raiva... ou de paixão!!”, acrescenta.
Somente depois das músicas prontas, conceito aprovado, surgem os títulos das faixas. “Coreofilia songs”, “Frotteurism Now!”, “Gang Bang Reverse” e “Clismafílico Jazzy”, prometem levar muita gente a pesquisar no Google. A arte segue o mesmo caminho, um desafio encarado pela designer Cecilia Torres. Uma mulher bonita, com ar tranquilo e a boca manchada de sangue representa a possibilidade de todos terem perversões e fetiches mantidos em segredo. Evandro Q? explicou o que queria passar com a arte do CD: “a gente não sabe quem, entre nossos amigos, curte coreofilia, é voyer e por aí vai”.
Cecilia Torres desvendou com precisão o briefing passado pela banda para a arte da capa. “Eu gosto de desafios e precisava chegar a alguma solução. Então, insisti. Já tinha essa ilustração da medusa e propus usá-la. A mancha de sangue, coloquei depois como se ela tivesse comido um coração humano. Acho que funcionou. Acho que casa bem com a ideia”, descreve a designer.
Responsável pela mixagem, acompanhado por Adriano Leão, Grilo falou sobre o processo da gravação à pós-produção: “Nada foi cortado. Tudo na tora. Acho o disco bem arranjado. Garantimos a qualidade da gravação e o cuidado na mixagem, fizemos e refizemos todas as faixas mais de uma vez. Era um tipo de mixagem que jamais terminaria. As possibilidades eram muitas, mas conseguimos eu e Adriano chegar num denominador comum”.
Como as músicas são feitas espontaneamente, com temáticas aleatórias e de única execução, os shows acontecem também como eventos que nunca se repetem. “A gente escolhe um tema melódico que saiu na gravação e leva para o show. Não é a música como é no disco. No show, já vai nascendo o próximo disco”, explica Evandro Q?. Para o lançamento do CD Amor só de monstro, a banda convidou os parceiros Juvenil Silva & German Ra para um pocket-show de abertura e os DJs Vinicius Lezo (Agito Pesado), Zenzi & Tarta e Rô Zashocke (Iraq Club) para pontuarem a noite com sons dançantes, além das Projeções Sexuais de Irma Brown, uma colagem de imagens em suporte audiovisual com tema relacionado aos comportamentos sexuais.
Histórico
Formada em meados de 2007, a banda instrumental de free jazz monstro Amor preza pela espontaneidade sonora. A ideia de que a música tem o poder de promover dança e sensações diversas move o processo criativo da banda. O início da trajetória da banda é marcado pela gravação ao vivo dentro de um estúdio resultando no álbum A Dança dos Pluricelulares Plebeus em Casamarela com 14 faixas e de produção independente. Lançado durante o SPA das Artes daquele ano, o CD foi divulgado e disponibilizado através de sites, blogs e do programa de rádio Coquetel Molotov. Circulou pelos bares e em vários eventos artísticos do Recife e cidades circunvizinhas. Em 2010, realizou uma temporada no IRAQ, um dos espaços alternativos da cidade.

SERVIÇO
FESTA DE LANÇAMENTO DO CD "AMOR SÓ DE MONSTRO"
SHOW DA BANDA MONSTRO AMOR
ABERTURA: Pocket-show de Juvenil Silva & German Ra
DJs: Vinicius Lezo (Agito Pesado)
Zenzi & Tarta
Rô Zashocke (Iraq Club)
E mais:  As Projeções Sexuais de Irma Brown 
Data: 4 de agosto
Horário: 21 horas
Local: Virgulino Cachaçaria. 
           Rua do Sol, 319 - Carmo - Olinda
Ingresso: R$ 15,00 | Ingresso + CD: 20,00
Contatos para entrevista:
Evandro Sena: [81] 8608.6236
Eva Duarte: [81] 9173.8073

Ficha técnica:
Gravado no Estúdio Fábrica
Técnico de gravação: Christiano Lemgruber
Mixado por Adriano Leão e Grilo.
Design gráfico e ilustração por Cecília Torres
Produzido por Evandro Q?

Formação monstro Amor:
Túlio Falcão (keyboards/ samplers)
Evandro Q? (vocais+feedback mixer+megafone)
Grilo (gtr)
Romildo Roma (bx)
Robson Schizo (bateria)

Sobre os Integrantes:
Túlio Falcão
(Mixer/ keyboards/ samplers).
Guitarrista da banda de trash metal Cruor, membro do grupo de experimentos eletros-acústicos Hrönir e ex-Sistema X.
Grilo
(guitarra).
Além de ter seu trabalho solo bastante conhecido com o nome de Grilowsky, integrou bandas como: Geladeira Metal, Conceição Tchubas e Gnomos da Metrópole.
Evandro Q?
(efeitos vocálicos+feedback mixer+megafone).
DJ e Garapa Nervosa.
Robson Schizo
(bateria).
Participou das bandas: Alice Quer Ser Punk, III Mundo, The Headsbacon e Garapa Nervosa.
Romildo Roma
(baixo elétrico).
Ex-integrante das bandas D’Urb e Alice Quer Ser Punk.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Transmissão telepática de pensamentos estranhos - Grilowsky


Transmissão telepática

de pensamentos estranhos - Grilowsky



https://www.youtube.com/watch?v=1Xf7DBFHSAw&feature=player_embedded

guitarra preparada / gravado em Walkman K7 Sony